Brasil Destaque
Publicado em 26/10/2016 às 14:26 - Autor:

Juro do cartão se aproxima de 500% ao ano em setembro e bate recorde

cartao-de-credito-para-empresas

Os juros médios cobrados pelos bancos nas operações com cartão de crédito rotativo voltaram a subir em setembro deste ano, quando atingiram o patamar de 480,3% ao ano, novo recorde da série histórica do Banco Central, que tem início em março de 2011. Em agosto, estavam em 475% ao ano.

O mesmo aconteceu com os juros bancários cobrados no cheque especial, que subiram 3,8 pontos percentuais em setembro deste ano, para 324,9% ao ano – novo recorde da série histórica, que neste caso começa em julho de 1994. Em agosto a taxa do cheque especial estava em 321,1% ao ano.

No acumulado de 2016, os juros do cartão de crédito rotativo subiram 48,9 pontos percentuais – estavam em 431,4% ao ano no fechamento de 2015.

Já a taxa cobrada nas operações com cheque especial avançou 37,9 pontos percentuais em 2016, pois somavam 287% ao ano no fim de 2015.

Os juros do cheque especial e do cartão de crédito rotativo estão entre os mais altos do mercado. Esses empréstimos, alertam os especialistas, só devem ser utilizados em momentos de emergência e por um prazo curto de tempo.

No caso do cartão de crédito, a recomendação dos economistas é que os clientes bancários paguem toda a fatura no vencimento para não deixar saldo devedor e evitar pagar juros.

Redução da taxa básica
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, disse que, com o início do processo de corte dos juros básicos da economia, por parte da autoridade monetária, a expectativa é de que isso tenha impacto nos juros cobrados pelos bancos, mas não soube dizer quando as taxas podem ser reduzidas. Neste mês, o BC baixou a taxa básica da economia de 14,25% para 14% ao ano no que foi o primeiro corte dos juros em quatro anos.

“A gente espera que movimentos da taxa básica sejam vistos nas taxas ativas [dos bancos]. Se você olhar em outros momentos, não tem uma coisa muito clara em quantos meses isso demora [para ser repassado pelos bancos às suas taxas]. Em alguns momentos, tem até antecipação nas taxas bancárias. Não se espera uma defasagem muito longa. Se reduz o custo de captação, isso contribui para redução de todas as taxas de juros”, declarou ele.

Consignado, pessoal e veículos
No caso das operações de crédito pessoal para pessoas físicas (sem contar o consignado), a taxa média de juros cobrada pelos bancos somou 135,1% ao ano em setembro, contra 132,3% em agosto.

Nesse caso, houve uma alta de 2,8 ponto percentual em setembro, mas, no ano, ocorreu um aumento de 17,4 pontos percentuais.

Ainda segundo o BC, a taxa média de juros cobrada pelas instituições financeiras nas operações do crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) somou 29,3% ao ano em setembro – o que representa estabilidade em relação a agosto.

No ano, a taxa para o consignado subiu 0,5 ponto percentual e, em doze meses, houve um aumento de 1,7 ponto percentual.

A recomendação dos economistas é de que os correntistas substituam, se possível, os empréstimos do cartão de crédito e do cheque especial pelo crédito consignado.

Segundo o BC, a taxa média de juros para aquisição de veículos por pessoas físicas, por sua vez, somou 26,1% ao ano em setembro – com queda de 0,1 ponto percentual em relação a agosto deste ano. Na parcial de 2016, essa taxa subiu 0,1 ponto percentual.

Comentários