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Publicado em 22/11/2016 às 8:50 - Autor:

Polícia faz operação contra advogados suspeitos de elo com facção

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A Polícia Civil e o Ministério Público Estadual (MPE), através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), realizam na manhã desta terça-feira (22) a Operação Ethos, para cumprir mandados de prisão contra advogados suspeitos de envolvimento com uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios do Estado de São Paulo. No Oeste Paulista, as ações ocorrem em Presidente Prudente, Presidente Venceslau, Pirapozinho e Estrela do Norte. Até as 8h, a polícia confirmou que cumpria nove mandados – seis pessoas foram presas.

A operação teve início às 6h. Até as 8h, os presos eram seis advogados, sendo cinco em Presidente Prudente , e outro suspeito em Presidente Venceslau. Na casa dos detidos, os agentes apreenderam documentos, notebooks e celulares, que serão periciados.

O inquérito policial sobre o caso foi instaurado em maio de 2015 para apurar crimes de organizações criminosas, lavagem de dinheiro, associação para fins de lavagem, exploração de prestígio e corrupção ativa.

As investigações começaram após informações reveladas através de uma carta que foi interceptada por agentes da Penitenciária “Maurício Henrique Guimarães Pereira”, a P2 de Presidente Venceslau, no dia 11 de maio de 2015, durante procedimento de varredura de rotina realizado no telhado sobre os raios 3 e 4 da unidade.

Conforme a Polícia Civil, os envolvidos nos crimes tinham uma célula denominada “sintonia dos gravatas” – modo como é tratado o departamento jurídico da facção criminosa – criada inicialmente para prestação de serviços exclusivamente jurídicos aos líderes da “sintonia final geral” ou “conselho deliberativo”, que são os chefes da organização ilícita.

Esses advogados evoluíram da licitude para a ilicitude, porque se percebeu a capacidade de infiltração dessa célula, sempre blindada pelo sigilo constitucional do advogado.

Ainda foi constatado durante as investigações que advogados, por meio de pagamento de propina a pessoas envolvidas em órgãos do Estado, visavam concretizar o objetivo da facção criminosa, que seria o financiamento e controle de agentes públicos e colaboradores, característica primordial da definição de crime organizado.

Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanharam as buscas nas residências e as prisões dos suspeitos.

A ação, realizada no Estado, conta com 159 delegados, 459 policiais civis, 65 promotores e 167 viaturas.

Matéria G1
Foto: Bruna Bachega/TV Fronteira

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