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Publicado em 03/06/2016 às 10:07 - Autor:

Polícia identificou prejuízo de R$ 424.986,28 na Santa Casa de Presidente Venceslau

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Somente na Santa Casa de Presidente Venceslau, a Polícia Civil identificou um prejuízo com superfaturamento de produtos no valor total de R$ 424.986,28. O esquema fraudulento foi apontado pela Operação Sanctorum. Entre os itens adquiridos desta forma, estão 35 camas mecânicas. Segundo as investigações, a compra de cada unidade teve um acréscimo de 157% e o valor final, que deveria ter sido de R$ 57.872,50, saltou para R$ 148.750, uma elevação de R$ 90.877,50.

As camas foram descritas como sendo da marca Flexmed, de duas manivelas. A compra, que tem data de 3 de abril de 2014, segundo uma nota fiscal apresentada à polícia, tem emissão de uma das empresas fantasmas em nome de “laranjas”, que estão envolvidas com Ronildo Pereira de Medeiros e Luiz Antônio Trevisan Vedoin, líderes do esquema. Eles foram presos nesta quinta-feira (2), em Cuiabá (MT).

A ligação entre os dois mentores da fraude com o provedor da Santa Casa de Presidente Venceslau, Antonio José Aldrighi dos Santos, foi feita por Gilmar Aparecido Alves Bernardes, também preso nesta quinta-feira (2), porém, em Presidente Prudente. Para a aquisição dos produtos, o grupo conseguia as emendas parlamentares para os hospitais dos provedores envolvidos, “com a promessa de pagamento de vantagem indevida”.

“Em seguida, com a liberação dos recursos, a mesma organização empresarial criminosa ingressa na venda dos produtos por meio de empresas ‘fantasmas’ registradas em nome de ‘laranjas’, com a venda de produtos em valor muito superior ao de mercado, isso quando efetivamente ocorre a entrega”, apontou a Polícia Civil.

Na compra das 35 camas mecânicas, a polícia apurou que cada uma custou R$ 4.250, em abril de 2014, enquanto que, na cotação feita em maio de 2016, o equipamento idêntico das mesmas marca e funcionalidade foi encontrado por R$ 1.653,50. Assim, a polícia concluiu que houve um pagamento de R$ 90.877,50 acima dos valores praticados no mercado.

Além das camas compradas, a Polícia Civil identificou a quantia total de R$ 424.986,28 somente com superfaturamento, no comparativo de preços de cerca de 30 itens comprados pela Santa Casa, o que foi “mascarado” por meio de doação.

“Eles simularam uma doação para a Santa Casa de Presidente Venceslau no valor de R$ 800 mil em equipamentos e, concomitantemente, emitiram notas falsas de medicamentos no mesmo valor. Houve fraude duas vezes. Na doação que nunca existiu e na compra de medicamentos que nunca entraram no estoque”, explicou o delegado da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Presidente Venceslau, Éverson Aparecido Contelli.

Esquema nacional
O delegado afirmou que a fraude pode ter sido aplicada em todo o país. “A organização está em Cuiabá [MT]. A partir de lá, eles realizaram as fraudes em outras partes do país, assim como ocorreu em Presidente Venceslau”, pontuou Contelli.

Somente no interior do Estado de São Paulo, são investigadas 20 Santas Casas e o valor desviado da saúde pública pode chegar a R$ 20 milhões. “A partir da análise dos documentos e cheques, podem surgir novas informações sobre a operação desse esquema em outros Estados da federação. Com o Vedoin foi apreendido um cheque emitido pela Santa Casa de Presidente Venceslau, o que faz a ligação com o esquema”, finalizou o delegado.

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